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O PMDB errou

Artigo publicado no Globo

26/05/2016 | O Globo



Desde 2003 o PMDB dá as cartas na política do Rio de Janeiro, mas foi a partir do governo de Sérgio Cabral que o partido afirmou ter inaugurado uma governança moderna, com métodos empresariais e orientada por consultorias de ponta. Impulsionado pelos ganhos da indústria do petróleo, Cabral propôs um projeto audacioso de desenvolvimento do estado. O governador caiu nas graças do então presidente Lula, e jorraram recursos para o Rio. Todos os ventos sopraram a favor. Adversário em 2006, Eduardo Paes tornou-se parceiro, ganhou a prefeitura da capital e, junto com Lula e Cabral, criou o slogan “Somos um Rio”.

O PMDB da era Garotinho/Rosinha deu lugar aos “anos dourados” da dupla Cabral/Paes, que esbanjava bom humor diante dos bilhões de reais que passaram a administrar em obras de prioridade duvidosa. A área da segurança, sob o comando do secretário Beltrame, recebeu as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), que renderam ao governador Cabral a sua reeleição. Na saúde, a ordem foi privatizar a gestão. Criaram-se Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) 24h, além de serviços de excelência como o Rio Imagem e o Instituto do Cérebro.

O Rio foi escolhido para sediar as Olimpíadas, e Paes também foi reeleito. Mas, pouco tempo depois, Cabral tornou-se protagonista do primeiro grande escândalo envolvendo governos e empreiteiras. Era o início do fim dos “anos dourados”. Os ganhos com o petróleo caíram, e a administração estadual entrou em crise, a ponto de, recentemente, o próprio presidente do PMDB regional, Jorge Picciani, dizer que o Rio está sem comando.

Segundo pesquisas, a rejeição ao governo estadual supera 80% e, na capital, os desperdícios olímpicos — somados à péssima qualidade das obras executadas — renderam ao prefeito 65% de rejeição. Tais índices devem envergonhar a cúpula nacional do partido, assim como envergonham todos nós os alertas feitos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) aos turistas e atletas que virão ao Rio em agosto. A entidade recomendou distância das regiões mais pobres e sem saneamento básico, atenção com os mosquitos e cuidado com as águas poluídas da Baía da Guanabara. E o que diria a OMS se soubesse da alta taxa de incidência da tuberculose em algumas comunidades?

Por falta de condições adequadas oferecidas ao secretário Beltrame e aos seus policiais, os índices de criminalidade voltaram a crescer. Na saúde, permanecem as intermináveis filas nos nossos hospitais, faltam leitos nas UTIs, e o funcionamento das UPAs foi reduzido. As obras de drenagem da Praça da Bandeira falharam na primeira chuva. As péssimas condições oferecidas aos professores e alunos da rede estadual os fizeram ocupar as escolas, na tentativa de salvá-las. Uma ciclovia recém-inaugurada, que custou R$ 43 milhões, desabou, matando pessoas. O governo deu calote nos aposentados e atrasa os salários dos demais servidores. A Baía de continua poluída. Os fatos não deixam margem a dúvidas: o “modo PMDB de governar” fracassou no Rio e, se é verdade que aprendemos muito com os erros, o PMDB os tem de sobra. Nunca na história do Rio se errou tanto. Nunca tantas oportunidades foram desperdiçadas.



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